sábado, 1 de dezembro de 2012

Orgulho

" o veneno que eu tomo querendo que o outro morra."

Malditos sonhos.
Revelam toda minha insatisfação infantil...
Quisera eu ter tudo sob controle,
dominei, aplaquei, contive e me prendi.

Como se domina se aprisionando?
Pois, bem submete-se para dominar.
Com o estranho pretexto de amar.
Como pôde ser tão infame?

Desgraçado.
Eu te odeio.

Mas de que adianta essa briga travar?
Se ele continuará a me perseguir?
Enquanto eu quiser sorrir, sobre a miséria do outro?

E de quem estou a falar? De um homem ? De um lugar?
De uma ideologia? Da mais-valia? (hehe)
Não queridos. 
A coisa que odeio é o que me faz odiar qualquer outra coisa.

Essa desgraça corrói, 
é invejosa, estúpida e gananciosa.
E como dizia meu velho:" é o pai de todos os defeitos."
Maldito seja ele: o eleito.

Agora percebo de que sou feita.
Como não enxergava antes?
Tamanha tristeza.

Minha perfeição é a ponta do iceberg.
Era a única parte que via, e por isso sofria.
Como pude eu, um dia acreditar
que realmente era perfeita e só tinha que me gabar?
Sendo que gabar-me já é uma forma de ofensa,
a quem talvez não tenha o estúpido talento que finges ter?

Não consigo entender.
E quem motivou todos os meus passos foi o desgraçado.
E por ele faço essa poesia, 
e por ele uso uma linguagem tão sórdida.
É por causa dele que eu espero tanto
que me decepciono tanto, 
que não amo ninguém,
que quero ver o circo pegar fogo, 
que quero ver a miséria do tolo,
e a minha supremacia dominar
a minha beleza infinda reinar,
a minha inteligência suprema ser a mais reconhecida,
ou melhor: a única valorizada.

Ele não sabe dividir o palco.
E assim me ensinou fazer,
com toda sua falsa pompa.
Tão educado, e tão hipócrita.
Nos faz realmente achar que existem idiotas.
Que, certamente, não somos nós.
Afinal somos perfeitos, o restante
é o mundo algoz.

As circunstâncias e os outros
são os filhos da imperfeição.
Por isso tantas barreiras, para
proteger nossa grande baboseira.
De perfeitos, sábios e lúcidos.

Mas já chega de reclamar.
Pelo menos percebi que eu sou assim.
Cheia de ORGULHO (o tal do desgraçado)
Agora já sei que não sou Rei.

Meu Eu inferior faz questão de colocar
sementes da discórdia na minha mente invigilante.
E eu as acato, remexo, cutuco, sofro.
E me culpo.
Culpo todos.
Fico com raiva e me sinto profundamente solitária.
Graças ao orgulho.

O que mais quero agora é vencer essa ponta.
Ponta?
É...
Uma ponta de tristeza que gosta de dominar,
E eu estranhamente gosto dela,
me apego a miséria que ela me oferece,
Porque meu conceito de felicidade ainda
é apenas uma ilusão:

Felicidade é ter tudo em minhas mãos.
E felizmente, isso não é verdade.

Me apego a infelicidade por me achar vítima,
por carregar dentro de minh'alma conceito tão infantil.
Tão pueril.
Quero que o mundo veja a minha infelicidade
e se puna, se arrependa, fique de joelhos,
se humilhe, se repreenda.
Todos vocês acorrentados pelo meu desejo de ser feliz.
Entendem a contradição?
Assim nunca poderei ter um triz.

Diante dos meus amores e alegrias,
essa ponta de tristeza é tão pequena,
que parece um apêndice inflamado.
Se eu não cuidar é perfurado.
E causa uma sepse mental.
Gera meu colapso afetivo, no peritônio parietal.

Removê-lo-ei cirugicamente
Com muita assepsia e anti-sepsia.
para deixar de dar espaço a uma nova septicemia.
Mente limpa é campo estéril.


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