Rimam pouco.
Só quando me interessa.
Falo quase sempre em primeira pessoa.
E quando falo na 1ª pessoa do plural
é para fazer graves críticas ao mundo.
Minhas poesias têm estética abstrata,
ou seja, não tem.
E elas não querem facilitar a compreensão de quem as lê.
Porque são escritas por quem só quer escrever.
E costumam ser sobre metafísica ou metalinguagem.
Poucas vezes louvam a beleza da natureza.
Poucas vezes descrevem os matizes espetaculares do céu.
E quando quero essas artes, tiro uma foto.
Minhas poesias não nasceram para serem lidas.
Nasceram porque a cabeça doía,
nasceram porque não aguentavam
mais ser entulhadas em forma de pensamentos ignorados.
Nasceram porque é duro demais questionar
e não concretizar,
nasceram e nascem porque preciso acreditar
em algo maior do que eu possa pensar.
Porque escrever é menos egoísta que só pensar.
Porque escrevendo se compartilha,
mesmo sem a intenção de fazer sucesso.
Porque escrevendo a aflição da vida parece
um pouco menor.
E quando se acaba de escrever,
a luz parece ser maior que as trevas.

