domingo, 24 de abril de 2011

Escrita

Minhas poesias não são belas.
Rimam pouco.
Só quando me interessa.

Falo quase sempre em primeira pessoa.
E quando falo na 1ª pessoa do plural
é para fazer graves críticas ao mundo.

Minhas poesias têm estética abstrata,
ou seja, não tem.
E elas não querem facilitar a compreensão de quem as lê.
Porque são escritas por quem só quer escrever.

E costumam ser sobre metafísica ou metalinguagem.
Poucas vezes louvam a beleza da natureza.
Poucas vezes descrevem os matizes espetaculares do céu.
E quando quero essas artes, tiro uma foto.

Minhas poesias não nasceram para serem lidas.
Nasceram porque a cabeça doía,
nasceram porque não aguentavam
mais ser entulhadas em forma de pensamentos ignorados.
Nasceram porque é duro demais questionar
e não concretizar,
nasceram e nascem porque preciso acreditar
em algo maior do que eu possa pensar.

Porque escrever é menos egoísta que só pensar.
Porque escrevendo se compartilha,
mesmo sem a intenção de fazer sucesso.
Porque escrevendo a aflição da vida parece
um pouco menor.

E quando se acaba de escrever,
a luz parece ser maior que as trevas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Verlaine mon amour, je ne t'ouliberais jamais!



Art poétique

De la musique avant toute chose,
Et pour cela préfère l'Impair
Plus vague et plus soluble dans l'air,
Sans rien en lui qui pèse ou qui pose.

Il faut aussi que tu n'ailles point
Choisir tes mots sans quelque méprise :
Rien de plus cher que la chanson grise
Où l'Indécis au Précis se joint.

(...)

Car nous voulons la Nuance encor,
Pas la Couleur, rien que la nuance !
Oh ! la nuance seule fiance
Le rêve au rêve et la flûte au cor !

(...)

De la musique encore et toujours !
Que ton vers soit la chose envolée
Qu'on sent qui fuit d'une âme en allée
Vers d'autres cieux à d'autres amours.

Que ton vers soit la bonne aventure
Eparse au vent crispé du matin
Qui va fleurant la menthe et le thym...
Et tout le reste est littérature.

segunda-feira, 11 de abril de 2011





Estava surda e cega para arte
Estava no escuro abismo das funcionalidades
Julgava o sensível como banal
E o não-prático como trivial.
Que loucura é essa de viver para o real?
Quem traça os limites da funcionalidade de alguma coisa?
Porque trabalhar é mais importante que refletir?
Qual o valor do ser perante o devir?
A construção diária não é só o prático.
Sobretudo, deve haver o espaço poético-não-estático.
E nunca ouse separar o prático do artístico,
pois sua vida se torna apenas um mecanismo
e não uma potencialidade
de espaços criativos.
Somos mais do que máquinas
somos mais do que fábricas
somos mais que dinheiro
somos mais que dizemos ser.
Somos o desconhecido ato de viver.
Vida fugaz, confusa e complexa
Alivia nossas imperceptíveis dores
de existir nessa terra.