segunda-feira, 23 de abril de 2012
Poeta Morta
Há aquela angústia perene em minh'alma de poeta.
E eis que vãs filosofias não preenchem a utopia.
E eis que versos não satisfazem almas sedentas de prosa
e rezas não saciam sede de alcoólatras;
o remédio não cura o enfermo auto-etiológico
e a música da vida não abarca sua cor.
E a indignação interdisciplinar perde o colorido quando é abstrata!
Deixa de entreter para ser um fim em si mesma.
E eis que morre a poeta ! Egoísta e pseudo-ascética...
Que não alcança si mesma e nem a Terra.
Que me vale comentar a beleza das flores,
se meus fracos versos não fazem jus à sua existência?
Farão as palavras jus a todo passado que nós "do presente" perdemos?
A existência fará jus algum dia a colorida e
inflamada poesia que não é realidade nem mentira?
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Trabalhadores do Mar
...O consentimento da alma recusado ao desfalecimento do corpo é uma força imensa.[...] Os teimosos são os sublimes. Quem é apenas bravo tem um assomo, quem é apenas valente tem só um temperamento, quem é apenas corajoso tem só uma virtude; o obstinado na verdade tem a grandeza. Quase todo o segredo dos grandes corações está nesta palavra: - Perseverando. A perseverança está para a coragem como a roda para a alavanca; é a renovação perpétua do ponto de apoio. Esteja na terra ou no céu o alvo da vontade, a questão é ir a esse alvo. [...] Não deixar discutir a consciência, nem desarmar a vontade, é assim que se obtém o sofrimento e o triunfo. Na ordem dos fatos morais o cair não exclui o pairar. Da queda sai a ascensão. Os medíocres deixam-se perder pelo obstáculo especioso; não assim os fortes. Perecer é o talvez dos fortes, conquistar é a certeza deles. [...] A perda das forças não esgota a vontade, crer é apenas a segunda potência; a primeira é querer; as montanhas proverbiais que a fé transporta nada valem ao lado do que a vontade produz.(Victor Hugo, 1866).
terça-feira, 3 de abril de 2012
Valores em edifícios, sonhos demolidores
Sinto que nos sonhos perdemos nosso juízo de valor. As coisas mais absurdas ocorrem e só parecemos presenciá-las passivamente. A verdade é que a liberdade mental é assustadoramente intensa nos sonhos mas a liberdade física parece restrita ao poço do inconsciente. Assistir a loucura que você guarda só para você nos seus sonhos pode ser uma forma de se liberar desse dogmatismo chamado "realidade ". Engraçado que no sonho que tive essa noite eu dizia "bom, eu não sei se isso aconteceu mesmo ou eu sonhei " (olha nível da minha confusão mental em sei lá, segunda camada de profundidade consciencial ). O que quero dizer é os valores que você cuidadosamente monta durante o dia são comicamente desmontados um a um de forma aparentemente descuidada nos sonhos. A minha conclusão não é que devamos criar valores insanos durante o dia, para a noite tomá-los como normais e assim destruí-los, a conclusão é desapegar-se mas sem perder o nexo social, isto é , seus valores existem , devem ser respeitados mas não podem ser encarados como solução única e irrevogável para os seus problemas. Acho que sonhar abre um novo leque de possibilidades completa e automaticamente excluídas pelos nossos valores lúcidos . Pois sonhemos e reflitamos.... sem preconceitos, sem medo de mudar um pouco a nós mesmos. Já que muitos sonhos insanos se realizam de forma sã sob a investigação da nossa falsa lucidez.
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