terça-feira, 23 de agosto de 2011

Caixa preta de fundo infinito
onde deposito a insanidade dos abismos planos
conferidos a partir da vida mais real que a imaginação.
Mais perfeita que a verdade.
Só sendo realmente
um depósito escuro, para misturar o belo e o grotesco
numa penumbra indefinida de sonhos
e perspectivas.

Vergonha

Presente intenso e vivo
me faz ver a maneira de ser
do passado obscuro e lívido.

A tristeza dos meus olhos
é o caos do nosso mundo
é a descoberta do meu orgulho
é meu sofrimento mudo.

Tão bem acompanhada
e tão só em seu padecimento
que dificuldade é essa
de expor sentimentos?

E por que sonhos e frases
fazem meu estado consciente?

E pessoas e circunstâncias
o meu sintoma inconsciente?

Acabo por nada controlar
Acabo por assim me derrubar
Sofrendo por ser o que sou
Sendo o que sofro por não ser.

Estou só.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Poesia: é pra isso que vivemos.

"Ouvi você chamar..." (8)

Queria querer você, não meu ego.
Queria sentir o que é viver,
e amar o que é ser.

Queria poder entender
o que é destruir o que nunca existiu.
Queria entender o que é o amor
que não sumiu.
Mas também não veio: só existiu.

O que há de indecifrável no que nunca aconteceu?
O que há de amável no amor que só foi meu?
Não sei, acho que é puro breu.

Jogue-se no vazio de amar seu próprio eu.

ps: eu inferior.