quarta-feira, 23 de março de 2011

Ah... me deu uma vontade de escrever (!)

A minha linguagem corporal sempre fala muito, as vezes sou até mal interpretada, acho que é um aspecto hiperconsciencial, eu sempre quero ter a sensação de quem está comigo. Não sentindo o que ele sente, mas tocando o que ele é, ou o que ele diz ser.

E aonde está o que eu quero? E quem é o que eu sou? Como eu posso querer ser qualquer coisa se eu não sei o que é ser? Eu sou o que faço? Ou eu faço o que eu sou?

Poesia para o meu amor:

Seus olhos inocentes sempre refletem o amanhã sorridente
trazem uma paz indolente de quem nunca espera paciente
as vezes, olhos de contemplação ou de preocupação.
E ele quer o nexo causal da existência
a prova da verdade de deus, ou dos deuses.
A dureza de existir martelando o ser-aí.
O ser que tem consciência mas que ainda é só parte de uma fantasia.
Minha quimera louca de ser, minha tristeza doida de amar
e feliz por tudo sentir e por nada pensar?
E quando se pensa se destrói o sentimento?
Ou o pensar sobre o sentimento é fruto exclusivo do momento?
O momento que sente o pensar?
Mas desculpem-me, quero escrever poesias de amar.
E o que preciso para tal?
Ter um grande amor ou só conceber o irreal?
Sei lá, tudo é projeção do real.

terça-feira, 15 de março de 2011

Cidade em preto e branco
almas apagadas e vazias
faces eternamente marcadas
pela pressão do que teriam.
E o único espaço que se vê consolo
é a terra molhada
pela chuva que alegra o 'tolo',
colore a natureza e o que
era concreto se faz verde
e o que era preto-branco
agora é apenas franco.
Sem a ilusão do ter.
Nem o desespero do ser.
Apenas sendo-em-si.

"(...) olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro.Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia. Mas eu escapei disso, Lóri, escapei com a ferocidade com que se escapa da
peste, Lóri, e esperarei até você também estar mais pronta."

sexta-feira, 11 de março de 2011

Eles são altamente filosófico-psicológicos. (foto minha)

O martírio do artista



Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!

Tarda-lhe a Idéia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!

Tenta chorar e os olhos sente enxutos!...
E como o paralítico que, á mingua
Da própria voz e na que ardente o lavra

Febre de em vão falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem á boca uma palavra!


Augusto dos Anjos

domingo, 6 de março de 2011

“perfeição técnica não supera necessidade a emoção”

Longe de querer fazer uma resenha crítica, venho comentar o catártico espetáculo que assisti hoje no cinema. O que é beleza afinal? Em busca da perfeição técnica e artística, a bailarina Nina enfrenta si mesma num jogo complexo de valores imposto pelo papel principal na peça 'O lago dos cisnes' . A velha necessidade de libertação e descoberta do eu, a meiguice e doçura de uma bela jovem fruto da opressão sofrida pela loucura psicológica da mãe que se projeta na delicadeza da filha. Um filme intenso que retrata nossa própria loucura, a dicotomia do ódio e do amor, da pressão de ser e não-ser. E a nossa clara incapacidade de lidar com o auto-conhecimento e com a percepção do obscuro em nós mesmos, que não cessa de se mostrar nos mais ínfimos detalhes do cotidiano. É um sofrimento marcante, uma crise de identidade que leva à esquizofrenia e na bela arte da dança o filme traz a tona os complexos sexuais e seus desdobramentos, e como a dança mexe com aquilo que há de mais intrigante no ser humano: a força criativa da emoção.
Brilhante ! Sem mencionar a incrível a atuação de Natalie Portman.

Ps: se quiserem ler uma crítica de verdade > http://www.soshollywood.com.br/um-sonho-despedacado/

sábado, 5 de março de 2011

Meditação




Para escrever textos interessantes, é justo que se façam boas definições.
A meditação é uma organização do corpo e da mente em prol da conscientização
de uma realidade Maior.

É o momento em que silenciamos nossos pequeninos problemas
e ouvimos o que a nossa e outras consciências sutis tem a dizer.


Tudo em nós deve ser uno. O sentir de si mesmo só fragmenta-se na consciência de
ser um todo. E quando se atinge esta calma, coisas incríveis nos são reveladas, mundos distantes, cores diferentes, seres desconhecidos e atraentes, sutilezas etéreas e infinitas, espaços claros e limpos, onde se sente a possibilidade de um lugar desligado de misérias e paixões humanas, onde o equilíbrio é a maior diretriz. E certamente, nada do que escreva descreverá a inefável sensação
de ser 'parte do segredo do universo'.