terça-feira, 29 de novembro de 2011

I

O abismo da consciência bateu em minha porta,
e a deseducada realidade entrou para me contar as novas.
E foi evidente que com seu tom sarcástico e irônico
veio falar de mim na 3ª pessoa do singular.
E eu, patética e estática, fui montando vagarosamente
as peças desse quebra-cabeça insano e lúcido.
Quando obtive a imagem completa, o horror
tomou conta de mim.
E aquela estúpida, porém fatídica pergunta
martelou em minha mente até o anoitecer:
"Por que?"

II

"Por que?"
É óbvio que eu nunca vou responder essa pergunta!
Porque a realidade sempre foi minha inimiga e
portanto, eu não tenho seu suporte para me embasar,
não tenho sua verdade concreta para me alertar.
E agora ela vem...
sempre superior aos meus sonhos,
destruindo o que eu amo mas que no entanto,
nunca existiu.

III

O que nunca existiu?
Ah! Mas que burrice é pensar que sonho é uma boa fuga,
que é para não se machucar!
O sonho é e sempre será a expectativa,
a luz que ilumina a obscura vida!
O sonho é a falsa certeza de que tudo ficará bem,
é a confiança num futuro que não vem.

IV

Pois "não quero lhe falar meu grande amor"
que agora o dono do meu coração é o torpor.
Supremo em sentir sem sentir e em ver
sem enxergar ou ouvir sem escutar,
certo por só existir e nunca amar.