
Estava surda e cega para arte
Estava no escuro abismo das funcionalidades
Julgava o sensível como banal
E o não-prático como trivial.
Que loucura é essa de viver para o real?
Quem traça os limites da funcionalidade de alguma coisa?
Porque trabalhar é mais importante que refletir?
Qual o valor do ser perante o devir?
A construção diária não é só o prático.
Sobretudo, deve haver o espaço poético-não-estático.
E nunca ouse separar o prático do artístico,
pois sua vida se torna apenas um mecanismo
e não uma potencialidade
de espaços criativos.
Somos mais do que máquinas
somos mais do que fábricas
somos mais que dinheiro
somos mais que dizemos ser.
Somos o desconhecido ato de viver.
Vida fugaz, confusa e complexa
Alivia nossas imperceptíveis dores
de existir nessa terra.
Um comentário:
O que sou?
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