sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Olho pra baixo
Amor por que não consigo falar contigo? Me dói tudo.
Orgânico ou psíquico? (que me importa?)
Sou um conjunto e não um aspecto.
Tudo está confuso.
Não tenho coragem...
E acho que nem quero ter : quero você descubra.
Como a fé nos desesperados ou a paz para os estressados.
Quero a comunicação silenciosa.
Quero a comunicação verborrágica.
Onde está você?
Por que é que "meu coração dispara quando tem o seu cheiro dentro de um livro?"
Queria poder te contar o segredo da minha alma.
Só que eu já contei.
E você não entendeu e jogou tudo fora.
Assim como o amor que eu te dei.
Eu quero te falar tanta coisa.
Mas "em meu ser tudo estaria terminado".
Quero te dizer que não consigo não ser assim: tola e inconveniente.
Explosiva e inconseqüente.
E o sentimento de inadequação é tão grande que me calo.
Olho para baixo.
Não é com você.
É que eu nasci torta mesmo.
Mas acho tem conserto...
Acho que consegui falar.
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3 comentários:
Olá,
Venho bisbilhotando seu blog já tem algum tempo.
Gostei do poema de hoje! “Olho pra baixo” traz no título primeiro a ideia de superioridade, de estar acima, depois, com a leitura, a imagem da cabeça baixa – e reforça “o sentimento de inadequação”!
Conhece o “Memória de Elefante”, do escritor português António Lobo Antunes? É um romance inadequado do início ao fim:
“Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do teu entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio.”
Desculpa a demora em responder. É que eu só entro no blog pra escrever, e pronto, entao em tempos de 'seca' não vejo nada do blog. hehehe
Você captou a ideia que eu quis passar no título. Legaal demais..
Não conheço o livro e nem o autor. Na verdade conheço pouca coisa da vida, mas é sempre legal trocar trechos, ideias, sonhos, poemas, romances. Enfim, fique a vontade no blog.
Adorei o trecho que você selecionou do romance, me soou me bem escolhido hehehe
O sentimento de inadequação é perene meu ser.
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