domingo, 21 de abril de 2013

Poesia Narrativa?


Escola Superior de Ciências da Saúde
Habilidades e Atitudes - Bloco de Pediatria



Medicina Narrativa

Oito da manhã, hora do país inteiro.
Paciente é Miguel Floriano. Profissão: porteiro.
Casado. Nacionalidade: brasileiro.
No DF há 27 anos. Mora no Goiás
Mas é mineiro.

Queixa principal?
Do que me queixar?
Da dor? Da doença atual?

Intensa no episgátrio. Não sei mais o que faço!
Dor em fisgada, como caracterizá-la?
Localização, cronologia, intensidade, causa?
Sofrimento, angústia ou desalento.

“Acho que é dor que dá e passa!
Melhor fica em casa!
Porque a fila do hospital...
essa não passa.”

Revisem os sistemas que a História é incompleta!
É corrompida, tendenciosa e aberta!
Refere astenia e sudorese excessiva.
Enfim, sintomas de agonia.
Hiperpirexia e eructação.
Nega, nega, nega.
Fim da revisão.

Não melhorei. O que faço?
Consulta, exames, dinheiro, remédio.
Que tédio!
Omeprazol, hemograma, plaquetopenia
Imediata internação, outra agonia!

Ambiente do hospital, solidão e incompreensão.
É aqui que libertarei meu fardo?
Num espaço onde a fétida realidade
impõe desigualdade e pouca dignidade?

Onde idosos são largados e homens imobilizados?
Onde o poder vestido de branco omite resultados?
Julga os embriagados? Não absolve culpados?
Onde está a cura?

“Mas o que é que eu tenho doutor?”
- ‘Tome seu remédio’
“Mas não foi isso que eu perguntei.”
- ‘Então tome outra vez’

E assim espero, espero e continuo a esperar.
Pelo o quê não sei contar
Mas sei que sinto falta do meu lar.
E preciso urgentemente me curar
Para enfim sair deste lugar.






Um comentário:

Manoel Dias disse...

Ficou muito bacana, Clarissa!
Adorei =)