Escola
Superior de Ciências da Saúde
Habilidades
e Atitudes - Bloco de Pediatria
Medicina Narrativa
Oito da
manhã, hora do país inteiro.
Paciente é
Miguel Floriano. Profissão: porteiro.
Casado. Nacionalidade:
brasileiro.
No DF há 27
anos. Mora no Goiás
Mas é
mineiro.
Queixa
principal?
Do que me
queixar?
Da dor? Da
doença atual?
Intensa no
episgátrio. Não sei mais o que faço!
Dor em
fisgada, como caracterizá-la?
Localização,
cronologia, intensidade, causa?
Sofrimento,
angústia ou desalento.
“Acho que é
dor que dá e passa!
Melhor fica
em casa!
Porque a
fila do hospital...
essa não
passa.”
Revisem os sistemas
que a História é incompleta!
É
corrompida, tendenciosa e aberta!
Refere
astenia e sudorese excessiva.
Enfim,
sintomas de agonia.
Hiperpirexia
e eructação.
Nega, nega,
nega.
Fim da
revisão.
Não
melhorei. O que faço?
Consulta,
exames, dinheiro, remédio.
Que tédio!
Omeprazol,
hemograma, plaquetopenia
Imediata
internação, outra agonia!
Ambiente do
hospital, solidão e incompreensão.
É aqui que
libertarei meu fardo?
Num espaço
onde a fétida realidade
impõe
desigualdade e pouca dignidade?
Onde idosos
são largados e homens imobilizados?
Onde o poder
vestido de branco omite resultados?
Julga os
embriagados? Não absolve culpados?
Onde está a
cura?
“Mas o que é
que eu tenho doutor?”
- ‘Tome seu
remédio’
“Mas não foi
isso que eu perguntei.”
- ‘Então
tome outra vez’
E assim
espero, espero e continuo a esperar.
Pelo o quê
não sei contar
Mas sei que
sinto falta do meu lar.
E preciso
urgentemente me curar
Para enfim
sair deste lugar.
Um comentário:
Ficou muito bacana, Clarissa!
Adorei =)
Postar um comentário