sábado, 9 de março de 2013

Mundo

                       

Minha alma infantil enlouquece ao se deparar com a realidade adulta (ou humana?). Quanto mais penso e observo, mais problemas encontro. Então começo a pensar que o mundo é um problemão, produto da soma de todos os pequenos problemas... Peguei um ônibus cheio e as pessoas gritavam, não tinha lugar pra sentar  o comportamento total parecia culminar em estupidez. Depois peguei metrô cheio (e nem eram horários de pico). E aí me invade a estranha sensação de que o mundo está acabando. Quando vejo muita gente, me passa pela mente o fim dos recursos naturais, e falta de água, e o que é a vida? e o que diabo estamos fazendo aqui? para onde todas essas pessoas estão indo? por que corremos tanto? por que esse ônibus está tão cheio? por que os políticos não melhoram o transporte público? e por que a gente compra tanto carro? por que não tem espaço pra ninguém e as pessoas querem ter filhos? e por que  tudo é tão louco e todo mundo acha normal?? 
Você: pequenina individualidade dentro do ônibus cheio, somada as outras individualidades formula-se a soma de todos que estão num ônibus, que estão imersos num trânsito com as individualidades nos carros, imersos na pista da cidade,do Estado, do país, do mundo, do universo. Brigando por um lugar pra sentar??? Parece tão pequeno, tão sórdido, tão sem significado. E isso tudo me dá uma dor de cabeça, a gente concebe um pedaço da realidade, foca nele e sofre por ele. E quando a visão macro te invade seus problemas parecem tão pequenos e ainda assim estamos lutando, e morrendo por eles. Literalmente, morrendo a cada dia de desgaste e consumo de energia, sobrevivendo sem reflexão. Quando tento conversar sobre isso com alguém me sinto infinitamente só. Todo mundo diz ' ah normal'.
Eu não acho normal esse estresse crônico!! Parece que todo mundo já viu isso e a brutalidade e o desrespeito são naturalizados. Talvez é porque eu seja nova (mas não sou, e os novos da minha idade pensam do mesmo jeito que os velhos), talvez eu não esteja entendendo nada do que está acontecendo, mas o meu corpo me conta. A pressão forte na minha cabeça latejante, o meu assombro ao me deparar com o comportamento alheio (é verdade que eu não sou muito melhor, o que é pior ainda, mas ainda assim me espanto).
Tudo é tão normal pras pessoas. Que droga. Parece que eu vim de outro planeta, as coisas mais simples, mais ordinárias e cotidianas são fontes de estranheza para mim. Por que é que estamos fazendo o que estamos fazendo? De que nos vale tudo, se o vazio é um oco nada? De que nos vale o nada, se o tudo é grande vazio anormal? Daí eu me sinto só e escrevo essas porcarias no blog... parece que eu vivo um grande delírio solitário de estranheza da normalidade, e quando eu tento me encaixar me afogo nos problemas e depois rio da minha insignificância. 
Meu coração deseja que tudo seja lindo e feliz (e isso parece muito gay), e que todos tenham transporte público bom, que o mundo seja sustentável, e que haja sistemas de saúde públicos decentes, e políticos honestos, mas esses problemas transpassam a porção concreta. A mudança de cada um sozinho deve ser a solução. E eu acabo me encharcando de problemas, até que depois de muito tempo me lembro da parte boa da vida... seja lá qual for.

3 comentários:

Catarina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Catarina disse...

Acredito que, em parte, a causa de a maioria das pessoas dizer "ah, normal" decorre de uma estratégia de defesa que acabamos criando para aceitar (e não enfrentar) esse estresse crônico. Isso porque, se começamos a pensar, passamos a sofrer. Sofrer pela ânsia de responder nossas perguntas inquietantes. Sofrer pelo outro (ou por nós mesmos) ser injustiçado para prover conforto a um charlatão. Eu não acho que você seja anormal por pensar nisso, ou que você seja de outro mundo. Apenas que você se permite sentir e se importar, coisa que muita gente abdica de fazer, e se sujeita a abaixar a cabeça para essas excretas do mundo. Não sei o que me incomoda mais... Se é a passividade que as pessoas aprendem a ter, ou se é a ousadia dos poderosos de tirar proveito dos ignorantes. Ou mais que isso: uma dor psicogênica me esperando para ser estudada enquanto eu adoraria continuar divagando por aqui. Afinal, quem sabe não são esses fatos causas de dores psicogênicas?

Manoel Dias disse...

Saudades de escutar as suas ideias, Clarissa =)

Nao sei muito o que dizer, mas queria dizer pelo menos alguma coisa; deixar uma marca de que eu li o post. Valeu muito a pena, tanto o post quanto o comentário da Catarina =)